Sabem bem quando sentem aquele espanto inicial e depois ficam quase zangados eternamente quando alguém vos pergunta porque fazem uma coisa? Pois. Devem saber. Ou pelo menos aqueles de vós que faz algo único que vos preenche totalmente, ou que simplesmente o fazem porque de outra forma não seriam vocês mesmos. Pois. Acredito que conheçam a sensação. Eu estou sempre a tê-la. Sobretudo quando oiço frases como: "Porque escreves?", "Porque escreves essas coisas?", "Sabes que isso não te dá dinheiro nenhum?" ou a pérola das pérolas: "Sabes que os escritores só ficam famosos quando morrem?" E respondo, suspirando pacientemente, pois ouvi o mesmo quando me dava ao trabalho de pintar, embora nunca o tenha encarado como carreira. E lá jeito havia - eu sei, sou modesta. Muito. Tanto o sou que calo baixinho os nervos. Não gosto de perguntas desnecessárias. Nunca gostei. Perguntas como as que respondo com um sorriso meio amarelo e uma angústia triste, porque não se consegue explicar a quem nos pergunta uma coisa do género o que é escrever, o que é formar um universo paralelo, o que é ver ali palavras juntas que transmitem alguma coisa a quem o lê. De verdade, o que me apetece responder, quase enraivecida, é: Se eu não escrevesse, morria ou Se eu não escrevesse eu não seria eu. Muito dramático, não é? Mas é simplesmente,isto. Não há mistério algum. Parece-me simples. Talvez não seja tão simples, talvez seja mais complexo que tudo isso, mas a verdade é essa e não vem mal nenhum ao mundo se me apetecer perder a maior parte da minha vida a escrever algo que ninguém irá, muito provavelmente, ler. Como este post...
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18 setembro, 2008
Perguntas desnecessárias
19 novembro, 2007
O(s) Conto(s) de Algibeira
A Casa Verde lança, no próximo dia 1 de Dezembro, a antologia de micronarrativas Contos de Algibeira. Uma antologia que junta alguns dos melhores escritores do género brasileiros e portugueses como Gonçalo M. Tavares, Henrique Manuel Bento Fialho, Luís Ene, Paulo Kellerman, ou Rui Zink.Continue a ler…
Durante umas semaninhas ninguém me atura - até ao dia em que receba esta menina dos meus olhos nas minhas mãos... Porquê? Descubram, ora...
09 outubro, 2007
Desquecida em minguante
Eu não me desqueci. Só ando demasiado embrenhada em novelos de lãs.Continue a ler…
Teias de fibras sintécticas. Tramas descosidas e remendadas.
Aos poucos voltarei. Sem promessas.
Mas com palavras.
Sempre.
Enquanto volto e não volto, fiquem com a minguante. Saboreiem as palavras de abre-brechas na imaginação e que vos forçam a repensar contos e romances num curto espaço de palavras. Muitas vezes, o que se perde em economia de palavras, ganha-se em impacto no leitor. Quem não conhece que experimente, quem conhece que se lance à descoberta de novos autores lusos e latinos. Boas leituras.
29 maio, 2007
A Heroína
Há pessoas que nos fazem sorrir apenas com um pequeno gesto. Há quem saiba enternecer com o olhar corações empedernidos, há quem, com um singelo sorriso, consiga deitar por terra guerrilhas milenares. Assim é a minha heroína, que não cavalga a trote nem a direito, nem veste seda ou cetim. Na verdade, nem sequer concentra em si a maior das belezas do mundo – mas consegue transformá-lo subitamente, com um punhado de coisas tão simples – as coisas mais importantes do mundo...
08 janeiro, 2007
O regresso é para sempre
Descíamos as escadas como se o mundo acabasse
[Já amanhã.]
Chorávamos em lenga-lenga calada pelo frio
e pelo medo que nos alagava o corpo
[Éramos cinco.]
E nunca mais seremos cinco...
Bom Ano!
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